SEGUIDORES

sexta-feira, 28 de maio de 2010

FOLCLORE - ISABEL SOUSA





Folclore

Isabel Sousa



Que quer dizer folclore?
Pergunta Tiago curioso

Meio confuso papai responde:

Folclore é cultura popular,
Existe no mundo inteiro,
Um resumo vou-te contar
Do folclore brasileiro

Por exemplo:

A dança do “Maracatu”...
As “Calungas...
Bonequinhas coloridas
Oriundas da África,
Vem o “Bumba meu boi”,
“Boi Calemba e Curubi”...

E, a mula sem cabeça?
Que crendice popular...
Vem o saci Pererê,
Negrinho, moleque, travesso,
Pulando com um só pé,
Vira tudo do avesso

Folclore, Tiago,
É um conjunto de tradições,
Crenças, lendas canções,
Fábulas, mitos, baladas...
É uma fusão de culturas,
Um universo de sonhos,
Passados de boca em boca,
Resiste através dos tempos,
Com paixão e alegria,
Todos nós precisamos
De um pouco de fantasia!

SAUDADES - Isabel Sousa


SAUDADES
Isabel Sousa


Saudades de olhar à janela
O calmo transeunte que sorria
Na manhã plácida orvalhada
Ou na tarde que anoitecia
No infinito eu louvava a estrela
Que brilhava suave e delicada

Hoje a janela está fechada
Grade de ferro além da vidraça
A gente que passa vai apressada
Olhar a rua já não tem graça

A criança traquina que corria
Tocava a campainha e fugia
Não há na rua grupos de crianças
O portão baixinho e aberto
Deu lugar a muros de concreto
Ou de alto portão de ferro frio
Há no ar tênues esperanças
Dum mundo melhor menos vazio


Não conheço meu vizinho do lado
Se nos cruzamos, olha-me desconfiado
Misturada sensação de clausura
De incertezas – emoções...
É medo? Ansiedade? Insegurança?
As grades de ferro – os altos portões
Acentuam nossa frágil estrutura!



S. Paulo faz parte de minha história - Isabel Sousa

Rua Furnas em 1964



S. Paulo faz parte de minha história

Isabel Sousa


Quando cheguei à cidade de S. Paulo, aluguei uma confortável casa no Bairro do Mandaqui.
Havia chovido, olhei as folhas encarquilhadas que boiavam nas poças d´água; quis chorar, cerrei as pálpebras, senti-me impotente, as lágrimas haviam secado, estava frio, ficaria mais leve se chorasse. Observei o meu filho de um ano de idade – o meu marido sem emprego – entrei em casa – abri as vidraças e assomei à janela. A grandeza de São Paulo deu-me força.
Estávamos em 1964, imperava a ditadura militar, cujo regime me deixava um tanto assustada. No entanto, se dizia que São Paulo era a cidade que mais crescia no mundo. Então pensei:
Tentarei crescer com ela...
Embalados no sonho da casa própria eu e meu marido, começamos nos fins de semana a percorrer ruas e vielas até encontrarmos em construção uns sobrados no Bairro do Brooklin Paulista que nos agradaram. Compramos um, era amplo e confortável.
A rua era de terra, não havia esgoto nem água canalizada. Um poço no quintal abastecia a residência através duma barulhenta bomba hidráulica.
Dois ou três anos depois veio a água – esgoto – asfalto – e todo o bem estar do progresso.
Nesse espaço de tempo, precisávamos trabalhar.
Tempos atrás eu concluíra um curso de “Corte Costura e Bordados”. Com alguma propaganda de boca em boca tornei-me conhecida no Bairro. Coloquei uma placa na frente da casa:
“Modista - Professora de Alta costura”.
Foi só o começo de uma fase, muitas alunas e muito trabalho.
Em seguida meu marido também arrumou emprego e os ânimos se aqueceram.
O tempo foi passando – a família aumentou – nasceu o segundo filho – depois de aproximadamente oito anos nasceu uma menina.
Tudo se completava, e a primavera parecia eterna.
Até que um dia meu marido partiu. Senti o chão fugir-me debaixo dos pés.
Vi os três filhos à minha frente e São Paulo de braços abertos me desafiando.
Readquiri minhas forças. Decidi também mudar de profissão. Como não havia escolas infantis no Bairro, pensei montar uma em minha casa.
Conversei com várias mães que tinham filhos em idade pré-escolar, e elas apoiaram a idéia.
Alfabetizei muitas crianças do Bairro, e acabei ministrando também aulas para preparar os alunos do quarto ano primário ao extinto exame de admissão ao antigo Ginásio.
Mais uma vez olhei esta cidade que não pode parar e notei que algumas escolas surgiam por perto, o progresso estava acelerado, não tendo, portanto como competir com essas escolas bem estruturadas, assim mais uma vez mudou o rumo de minha vida.
E, São Paulo me apontando as oportunidades.
Trabalhei por algum tempo no conhecido, mas também extinto “Círculo do Livro”. Caminhei muito pelas ruas do Brooklin - Vila Olímpia – Itaim; visitando os sócios e pegando o pedido de compra de livros expostos nas revistas mensais.
Havia algo de provinciano no ar, as pessoas eram afáveis e em cada rosto aflorava um sorriso.
Depois de algum tempo desliguei-me do “Círculo do Livro”, foi-me então apresentada a oportunidade de trabalhar em uma Escolinha onde exerci o cargo de Educadora Infantil.

Retornando:
Cruzando a minha rua, se espraiava preguiçosa e despretensiosa a Avenida Eng. Luís Carlos Berrini. Um córrego a separava do outro lado do Bairro havia umas pontes improvisadas e estreitas precisando duma certa habilidade e equilíbrio para atravessá-las.
Espalhavam-se ao redor algumas chácaras. O campo ao lado de minha casa era repleto de eucaliptos; no meu quintal, um caramanchão de madre-silva exalava um perfume que combinava com as noites de luar e com o céu estrelado.
Os vizinhos se reuniam após o jantar; enquanto isso, as crianças brincavam na rua. Existia um não sei quê de parentesco entre todos.
Lembro-me da inauguração da Praça Gentil Falcão, o helicóptero desceu com uma figura política, não sei se era Governador ou o Perfeito; a Banda tocava, e tudo era festa, a Avenida se banhava no córrego, parecia sorrir.
Na esquina da Praça havia um matadouro, onde se ouvia o cacarejar das galinhas e, se cumpria claro a “lei divina” da “cadeia alimentar”, as coitadas eram mortas na frente do freguês. Vendiam-se ovos também. Hoje lá é o Banco Safra.
Crianças aos domingos empinavam pipas e quantas eu fiz para meus filhos! Outras andavam de bicicleta, as menores adoravam jogar pedrinhas no córrego.
Fecho os olhos – refugiando-me nas boas lembranças – consigo até ver poesia ao recordar as folhas encarquilhadas que boiavam nas poças d`água no dia em que cheguei à cidade de S. Paulo.

Eis aqui. Um pequeno retrato antigo de um cantinho desta cidade tão cheia de histórias, junto com ela alguns fragmentos da minha própria história.
Hoje a Avenida Eng. Luís Carlos Berrini não conserva nem uma sombra da simplicidade de outrora; quase imponente – Arquitetura moderna – Edifícios gigantes – Hotéis – movimento – É o progresso!

segunda-feira, 24 de maio de 2010




Pequenos sonhos
Isabel Sousa



O pobre homem todos os dias fazia o mesmo percurso.


Montado em seu burrico com dois recipientes de água pendurados na montaria do animal.


Em seu punho, um rebenque para cutucar o simpático jumento se necessário fosse.


Pingas de suor escorriam-lhe pelo rosto cansado e sempre taciturno. Aquele trajeto virou rotina.


No fundo sentia aviltante tal situação, mas com braço forte seguia em frente.


Sua mulher o esperava com um sorriso amarelo, e pegava os vasilhames despejando-os em recipientes improvisados para enfrentarem aquela seca maldita.


Cansados, um dia combinaram vender seus parcos haveres e com o produto dos mesmos rumaram a São Paulo.


Oh! Terra sonhada, quase idolatrada!


Chegados ao seu destino alugaram um barraco numa encosta. Em baixo o córrego corria tranqüilo e manso...


Não muito longe dali havia uma escola onde as crianças poderiam ir a pé.
Parecia tudo perfeito para recomeçar uma nova vida.


Logo ele arrumou trabalho na construção civil e a mulher de diarista em casa de uma boa família.


Depois do trabalho ele regressava ao seu pequeno lar, e feliz abraçava a companheira e lhe dizia sorrindo:


“Mamana” querida!


Beijava as crianças, conversavam um pouco, não tinham muito assunto. E a comida fumegava sobre a mesa da cozinha.


Rotina?


Seria... Se um dia, uma violenta tempestade não desabasse repentinamente. E foi um daqueles dias em que a Natureza se tornou agressiva e revoltada, parecendo dizer:


Comigo ninguém pode! Às vezes sou linda – maravilhosa – porém, há momentos que me enfureço, lembrando aos homens que há lugares que são só meus, ou alertá-los então, para se precaverem ao usá-los providenciando os necessários cuidados.


Foi em um dia desses que a Natureza se enfureceu que fez desabar a humilde habitação e todas as outras ao seu redor.


Os “heróis” desta história desolados preferiram regressar às suas origens e, lá foram rumo de novo ao sertão.


Resolveram não se obsedar mais e aceitaram aquela vida rotineira e quase vazia, tentando serem felizes com seus pequenos sonhos.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

NOIVADO VIRTUAL - Isabel Sousa






Noivado virtual
Isabel Sousa



Em tempos passados escrever cartas era o meio mais comum de comunicação. Essa prática está quase extinta.
A internet veio a todo o vapor, veloz e espontânea. Porém, através dela nossa alma não se desnuda, é tudo muito mecânico.
Dizia-se que a forma de escrever revelava nosso caráter e personalidade.
Havia até um intercambio chamado:
“A tua letra fala de ti”.
Será que fala mesmo?
Pensando nisso poderemos entender a história que vou contar:
João colocou um anuncio em um Jornal diário que dizia o seguinte:
“Cidadão de 25 anos – bom caráter- mora fora do Brasil, deseja conhecer moça de boa família para um futuro relacionamento amoroso.
“Enviar carta para este Jornal.”
Deste modo seguiu a história.
João recebeu várias cartas, e, pela letra – redação – firmeza na escrita – singela discrição... Decidiu-se pela de Janaína.
Assim começaram uma longa troca de cartas onde ambos expunham no papel todos os seus anseios – sonhos – frustrações – deixando transparecer suas almas.
No fim houve troca de fotos e nada de decepções. Sentiam-se felizes no lusco-fusco da relação.
Até que João decidiu abrir o jogo; e propôs a Janaína escrever uma carta a seu pai pedindo o consentimento do mesmo para um futuro e próximo enlace.
A carta seguiu nestes termos:



Senhor Manuel



Estou apaixonado por sua filha, há muito nos correspondemos, venho pedir sua aprovação para ficar noivo de Janaína.
Como eu moro na Inglaterra e ela no Brasil, não vejo necessidade de maiores despesas, se nos conhecemos através de cartas e nos amamos nada impedirá que nos casemos por procuração.
Que tal a idéia?
O senhor arruma aí uma pessoa idônea para eu enviar a minha procuração.
Após a cerimônia Janaína virá ao meu encontro para uma longa e duradoira lua de mel. Ela irá conhecer os famosos nevoeiros londrinos e toda a Grã Bretanha.
Um grande abraço.
Seu futuro genro,
João





Ora o seu Manuel, na sua simplicidade, um tanto atônito, consultou a filha, que se mostrou encantada com a originalidade e se confessou também apaixonada.
Desta forma seguiram todos os tramites e tudo foi consumado.
Passado tempo João e Janaína vieram ao Brasil reverem parentes e amigos para que todos pudessem constatar que é possível as pessoas se conhecerem escrevendo cartas e mais cartas, lê-las e relê-las...
Até hoje eles acreditam que a escrita mostra quem nós somos.
Será?




CONFUSÃO - Isabel Sousa




CONFUSÃO


Maria dos Prazeres, acabada de chegar de Portugal para uma visita a sua irmã que reside no Brasil, sentada em uma confortável poltrona da sala de estar da dita irmã, atende ao telefone que retine sobre a mesa a seu lado.


Está lá?


Do outro lado da linha:


Alô! É a dona da casa?


Maria responde:


Não. A casa é alugada. Minha irmã é a inquilina.
Interlocutor:


Certo. É o seguinte:


Amanhã em horário comercial estaremos visitando o seu esse Bairro para demonstração de um filtro de água de última geração.


Maria interrompe:


Não entendi não senhor!


Interlocutor insiste:


Consta aqui em meu protocolo que essa casa foi reformada há pouco tempo e que ainda não tem no momento um bom filtro de água, que, digamos de passagem é essencial para a saúde. Nossa visita é grátis.


Maria confusa responde:


Reformada! A casa eu não sei... Pois meu senhor, eu é que estou reformada e com muita saúde! Não precisamos de visitas de estranhos, e muito menos esse tal de filtro.


Interlocutor com uma sonora gargalhada responde:


Ah, ah, ah... Desculpe senhora! A senhora está reformada? Fez plástica ou colocou Botox?


O vendedor de filtros desliga rápido o telefone sorrindo sem entender sua gafe.

Reformada em Portugal quer dizer: aposentada

domingo, 16 de maio de 2010

CONTADORA DE HISTÓRIAS - Isabel Sousa



Contadora de histórias
Isabel Sousa


Contadora de histórias eu sou
Falo do príncipe e da princesa
Da borboleta que voô
Do pirilampo de luzinha acesa
Da formiga que trabalhava
Da cigarra que só cantava

Era uma vez uma abelhinha
Que morava na colméia
Com a mãe abelha mestra
Chamada também de rainha
E o zangão que voava
Sempre em dias de festa

Com toda a paciência
Conto e reconto a história
Leio nos olhos da criança
A graça da inocência
Fica tudo na lembrança
Bem no fundo da memória

Repito – repito a história
E isso nunca me cansa.



sexta-feira, 14 de maio de 2010

NOSSA LÍNGUA LUSITANA - Isabel Sousa





Nossa Língua Lusitana

Nossa Língua portuguesa deriva do antigo Latim, que no decorrer dos tempos sofreu várias influências, como é normal.

Aqui no Brasil se misturou com algumas palavras tupis como “xará”- “jururu”, também algumas africanas como “cafuné” – bagunça, etc. etc.

(E, realmente no Brasil virou uma grande “bagunça”).

Mais tarde veio a mistura de palavras inglesas que acabaram por ser assimiladas, porém, neste caso deveremos ter mais cuidado e só usá-las se necessário.

Preservar o nosso idioma é conservar nossa individualidade.

Em Portugal se dizia que os portugueses eram macacos de imitação, quando em tempos idos se abusava das palavras francesas.

Cheguei ao Brasil e constatei que o inglês, sobretudo em nomes próprios criara força.

Realmente hoje não dá mais para fugir dessas influências.

Imitação? Globalização?

Enfim, não quero encompridar mais para não me tornar enfadonha.

Continuando:

Como eu diria em Portugal para começarmos a nossa oficina?

Diria:

“Vamos planear nossa oficina de textos”.

No Brasil:

“Vamos planejar”.............

Em Portugal eu vou “apanhar” um autocarro, aqui eu “pego” um “ônibus”. (que deriva do inglês)

Complicado? Não.

Vivo no Brasil há mais de quarenta anos e tenho certeza que muita coisa tem mudado em Portugal em termos e palavras.

Pois com o fim das colônias do ultramar muitas pessoas das mesmas imigraram para o chamado “continente”, e trouxeram novos costumes e novas palavras, que hoje circulam por lá, e dessa forma as Línguas vão enriquecendo e se transformando.

Assim se dividia Portugal:

Portugal Continental – Portugal Insular – e Portugal Ultramarino.

Com a perda das Colônias”, mudou tudo.

Enquanto o Brasil fica eternamente deitado em berço esplêndido, Portugal continuará para sempre à “beira-mar plantado”... Sim, ele é banhado de um lado pelo Oceano Atlântico, do outro lado fica a vizinha Espanha.

Bom, vamos continuar com a nossa Língua Lusitana e tentar escrevê-la o melhor possível.

Acordo ortográfico?

Acho um tanto difícil, poderemos deixar essa discussão para outra vez. Acho que seria interessante discuti-la de facto. Ou... de fato?

Fato em Portugal é “terno” no Brasil, não faria sentido tirar o c do “facto” de Portugal, pois aquele c não é mudo.

Só mais uma coisa:

Há quem diga que o português que se fala no Brasil é muito parecido com o que falava Camões. Alguém duvida que Camões não falava um lindo Português?
Viva o Brasil!

Viva a Língua portuguesa!

Teremos muita discussão pela frente!

terça-feira, 13 de abril de 2010

IMORTALIDADE - Isabel Sousa




Imortalidade
Isabel Sousa


Querer um livro escrever
No fundo é rejeitar a morte
É triste a palavra morrer!
Mas com um pouco de sorte
Apelando para a memória
Libertando a imaginação
Capítulos da nossa história
Tomam outra dimensão

Um livro nos dá afinal
A esperança – a ilusão...
De ser um dia imortal.



Os poemas são pássaros que chegam não se sabe de onde e pousam no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão.
Eles não têm pouso nem porto, alimentam-se um instante em cada par de mãos vazias, e olhas então, essas mãos vazias no maravilhoso espanto do saberes que o alimento deles já estava em ti.

MÁRIO QUINTANA

quinta-feira, 1 de abril de 2010

SHAMU - Isabel Sousa


Shamu - gato de estimação de Isabel.
Faleceu hoje e a nossa poetisa está inconsolável!
Mandem mensgens de apoio para ela.


Shamu
Isabel Sousa


Shamu que brincas de bola
Denotas tanta alegria
Ao veres a bola que rola
No teu espaço fantasia

Mas se um passarinho canta
Lá nas bandas do quintal
Tua atenção se levanta
Num instinto natural

És feliz por que não pensas
Sentes que o mundo é teu
Eu com mágoas imensas
Só não queria ser Eu.

Queria ser minha gatinha
E ter uma dona como eu.




NÃO SAIAS DO TEU PAÍS - ISABEL SOUSA




NÃO SAIAS DO TEU PAÍS
Isabel Sousa


Ele olhava a esmo
As ondas revoltas do mar
Senti a sua tristeza
E decidi perguntar:

O que sentes imigrante
Do teu berço tão distante?
O que te levou a buscar
Outros horizontes...
A transpor fronteiras...
Como um galho sem raiz
Procuraste água nas fontes
Para conservares o viço
Não te sentires infeliz

Vejo em teu semblante
Um misto de amargura
E alegria vã
O gosto da aventura
Uma ternura sã
Pelo mundo que abraçaste
E a dor da saudade
Por tudo o que deixaste
O fantasma da esperança
Que tua mão não alcança
Sentes-te forasteiro
Num país que não é teu
Mas não é mais estrangeiro,
Teu coração dividido
Quando acordas vês então
Que o galho criou raiz
Prendeste-te a este chão

O mundo da tua infância
Acredita que morreu
Afoga a tua amargura
Respira a doce fragrância
Da terra que te recebeu

Com o olhar perdido no espaço
Respondeu-me lentamente:

Quanta angustia! quantos sonhos...

Se voltasse para viver
Em meu saudoso país
Seria então imigrante
Na terra que me viu nascer
Tudo ficou tão distante
Nem sei se sou feliz
Mas te aconselho amigo
Ouve bem o que te digo
Não saias do teu país!
Se puderes viajar
Outros mundos conhecer
Vai para passear, estudar,
Não pra criar raiz.

sexta-feira, 19 de março de 2010

CREPÚSCULO NO ALENTEJO - ISABEL SOUSA




CREPÚSCULO NO ALENTEJO

Isabel Sousa


Na longa planície
Um ar desbotado
De azul incerto
Era o entardecer

Gente caminhava
Ao ombro uma enxada
Ou uma foice na mão
Sentindo o vento
Amando a vida...

Caía a tarde o vento rugia
Latia o cão coaxava a rã

Manhãs pardacentas....
O sol dormia...

A caminho do trabalho, o sol acordava,
No regresso ele se escondia,
Aquela gente sempre sorria.

Chegando ao lar
Fumegava a açorda...
Depois do jantar
Ainda iam cantar
Cantigas em voga
De braços entrelaçados
Cantavam as baladas
Pelas ruas de terra
Soavam aos ouvidos
Como serenatas

Esqueciam injustiças
Do árduo trabalho
Como me lembro
Daqueles caminhos!
Talvez eu beirasse
Meus cinco anos
Jamais esquecerei
Os alentejanos

Recordo veredas
Caminhos de brejo
Tinha algo poético
O meu Alentejo.




SOBRE O ALENTEJEO

A região do Alentejo é grande parte do Sul de Portugal, logo acima do Algarve. Nesta região encontramos cidades como Setúbal, Portalegre, Beja… faz fronteiras com o Algarve pelo sul, com Lisboa a norte, com o Oceano Atlântico a oeste e a leste com a Espanha. O Alentejo é uma região que uma área de mais de 30 000 quilómetros quadrados, practicamente uma terça parte de Portugal e sua população é de cerca de um milhão de habitantes, apenas um 7% da população.

O Alentejo, está subdividida em várias zonas, o Alentejo Central, o Litoral, o Alto Alentejo, o Baixo Alentejo, Lezíria do Tejo (Antigo Ribatejo). São mais de 50 os municípios que encontramos nesta região, onde o turismo é uma importante fonte de rendimento. Encontra-se cidades como Cacém, Sines, Portalegre, Setúbal, Beja, Odemira, todas elas cheias de apartamentos, casas rurais, moradias, casas de praia, hotéis e todos os tipos de Alojamento onde poderá desfrutar das suas férias.

O Alentejo é uma região que se encontra numa planície, sem grandes altitudes, onde o descanso e a tranquilidade será uma mais-valia para umas desejadas férias, uma paisagem que se junta com os sobreiros e as oliveiras, tudo rodeado por muralhas, que representam a história desta terra, as suas muralhas, as terras, a natureza, o campo torna o Alentejo numa zona única de Portugal.

Um destino turístico por excelência pode ser encontrado em Zambujeira do Mar, ou Vila Nova de Mil Fontes sem esquecer lugares como Évora, com as suas ruínas romanas, o seu cheiro de história ou Setúbal com as suas praias, qualquer tipo de hotel e apartamentos.

Evidentemente, não se pode esquecer do delicioso peixe ou marisco desta região de Portugal, que olha pelo mar e pelo interior, mas acima de tudo olha para o passado ao mesmo tempo que preserva um dos mais ricos patrimónios históricos que podem ser encontrados. http://alentejo.costasur.com/


Visitem:




PALÁCIO DUCAL
Antiga residência dos Duques de Bragança desde os princípios do século XVI, a sua construção iniciou-se em 1501 - 1502 (na ala Norte) e completou-se já no século XVIII. A fachada principal é toda revestida de mármores da região e inspira-se na arquitectura italiana renascentista, com três andares, a cada um deles correspondendo, desde o rés-do-chão ao piso superior, uma das ordens clássicas: dórica, jónica e coríntia.

No interior das suas 50 salas visitáveis guardam-se as peças das preciosas colecções de arte e as raríssimas espécies bibliográficas que pertenceram a D. Manuel II, último monarca reinante de Portugal. Destacam-se pinturas dos membros artistas portugueses do século passado, ourivesaria, tapeçarias flamengas e francesas, pinturas a fresco em paredes e tectos, mobiliário de estilo, porcelanas orientais, portuguesas, italianas e de outras origens, armaria antiga com peças raras de fabrico oriental, português, alemão, francês, etc.






Terreiro do Paço
É este terreiro uma das mais belas praças do país, espaço amplo e desafogado com cerca de dezasseis mil metros quadrados, localizado à entrada da fidalga e nobre Vila Viçosa, quando se vem do lado de Borba e Estremoz e da Fronteira de Elvas, deixando à direita a Capela Real e os Jardins do Paço.




PORTO DE NÓS



Obra quinhentista que dá entrada para a tradicional Ilha, em cujos vastíssimos terreiros se edificaram, sucessivamente, além das moradias de servos da Casa, a Colegiada de Nª Sª da Conceição, o Seminário dos Reis Magos, estrebarias, cocheiras, abegoaria e outras oficinas necessárias numa grande casa fidalga mas também agrícola e rural.

Em épocas antigas, ladeando o portal e baseado na informação do escritor Fr. Manuel Calado, em 1648, existiam o brasão de armas e lápidas de pedra simbolizando a jactância e poder da sereníssima casa brigantina, que diziam: Depois de vós - Depois de nós, cujo significado era: Depois da pessoa Real nós somos os primeiros na grandeza e na pretensão do Reino, e todos os outros Duques, Marqueses e Condes são depois de nós. http://www.portugalvirtual.pt/_tourism/plains/vila.vicosa/ptsightseeing.html


E tantos outros pontos turísticos que Alentejo preserva para visitação...

quinta-feira, 11 de março de 2010

LEMBRANÇAS - ISABEL SOUSA

Taj Mahal - Cidade de Agra - India

Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Foi recentemente anunciado como uma das Novas Sete Maravilhas do Mundo Moderno em uma celebração em Lisboa no dia 7 de Julho de 2007.

A obra foi feita entre 1630 e 1652 com a força de cerca de 20 mil homens,[2] trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória de sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava de Mumtaz Mahal ("A jóia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre seu túmulo, junto ao rio Yamuna.

Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Corão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes.

Supõe-se que o imperador pretendesse fazer para ele próprio uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou deposto antes do início das obras por um de seus filhos.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Taj_Mahal



Lembranças

Isabel C. S. Sousa



Tênues lembranças
Povoam minha mente
Algumas esparsas
Pálidas nuances...
Desenhos escusos...
Confusos...

Tempos remotos
Passados na Índia
Bombaim, Calcutá, Nova Delli...
Agra com seu imponente Taj Mahal...

Cidades morenas
Repletas de gente
De olhares profundos
Tristes penetrantes...

A tradição de castas
Milenar e mantida,
Apesar de, oficialmente proibida

Misticismo...
Brâmanes – Sudras - Intocáveis

Vacas “sagradas”
Doces e livres
Passeiam pelas ruas

Os rikshows
Trafegam ligeiros
No aglomerado
De pessoas e carros

Cheguei a Goa...
Ex- colônia portuguesa,

Os mesmos olhos... a mesma cor...

As águas cálidas do Rio Mandovi...
Cidades pacatas...
Pangim - Mapuçá - Vasco da Gama - Margão...

Difícil entender
Aquele mundo
E sua gente!

Vi os contrastes...
Cores garridas
Algumas desbotadas
Como perdidas

Suas divindades principais:
Brama – Siva – Vishu
Predomina a religião Hinduísta
Sendo a Católica uma minoria
A Índia ostenta grande riqueza
Em contraste com a pobreza

A multidão se confunde
Nos seus rituais
É um mundo pobre e rico
Cheio de mistérios...
Segredos...
Para nós, ocidentais.




segunda-feira, 1 de março de 2010

SÍNDROME - ISABEL SOUSA



SÍNDROME
ISABEL SOUSA

Os galhos pareciam se espreguiçar...
Balançava levemente a folhagem...
Como se infinita fosse a paisagem
Numa beleza pura e singular!

Árvore eu quisera ser
De tronco firme na terra
Protegendo minha raiz
Sou apenas um galho
Que o vento um dia rumou
Para um lugar bem distante
Galgou montes galgou serras
Seguiu depois um atalho
Ao acaso ou, por que quis
Ainda bem verdejante
O vento me plantou
Em um distante país,
Aí então criei raízes
Rompendo o agreste chão
E mais galhos brotarão
Mas em outras diretrizes

Meu sentimento profundo
Nos meus caminhos incertos
Perambulei pelo mundo
Entre aglomerados e desertos
Escuto sem ouvir e olho sem ver
Minha mente vai distante...
Sinto uma vaga luz se acender...
Será “síndrome” de imigrante?

CÂNTIGO NEGRO - JOSÉ RÉGIO

José Régio



Cântico Negro
De: José Régio


“Vem por aqui” – dizem-me alguns com olho doces,
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: “vem por aqui”!
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há nos meus olhos, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...

A minha glória é esta:
Criar desumanidade!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem vontade
Com que rasguei mo ventre a minha mãe.

Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprio passos...

Se ao que busco saber nenhum de vós responde,
Por que me repetis: “vem por aqui”?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...

Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o longe e a miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátrias, tendes tetos,
E, tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios.
Eu tenho a minha loucura!
Levanto-a como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...

Deus e o diabo é que me guiam, mais ninguém,
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções!
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: “vem por aqui”!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um átomo a mais que se animou...
Não sei para onde vou,
Não sei para onde vou
- Sei que não vou por aí!




sábado, 20 de fevereiro de 2010

QUARTA FEIRA DE CINZAS (2010) ISABEL SOUSA




Quarta-feira de cinzas (2010)
Isabel Sousa

Acabou o carnaval
São Pedro foi camarada
Mandou a chuva descansar
O que resultou afinal
Numa folia animada
Quatro dias sem parar.

Blocos - Enredos – tudo o mais...
Por todo o canto do país
Homenagens fictícias e reais
E um grito no coração:
Somos um povo feliz!!!!

Muito sol, muito calor...
Que queremos mais então?
Pedimos até, por favor,
Um fim à impunidade
Um fim à corrupção

Dois mil e dez, que ansiedade
Queremos paz – amor – honestidade!

“Arrombaram a Caixa de Pandora”
E, o dinheiro voou... voou...
Por onde ele andará agora?
Ah, ah, ah... O grupinho, até rezou
À noite festejou com pizza,
Mas... o dinheiro onde ficou?
Lá nos Bancos da Suíça.

E o melhor do carnaval,
Esquecendo cueca e meia,
Governador do Distrito Federal
Foi levado para a cadeia
Pra retiro espiritual

E os foliões cantaram
Muito bem afinadinhos
Em Brasília só escutaram
E ficaram caladinhos.

Carnaval está terminado
Direi então de passagem,
De mãos dadas samba e fado
À X - 9 Paulistana
Obrigada pela homenagem
À nossa terra Lusitana!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

QUEM SE LEMBRA DE PLUTÃO? - ISABEL SOUSA

Quem se lembra do Plutão?

Isabel Sousa



É um ser enigmático - gelado
Um dia foi batizado
Com nome de um Deus romano
O famoso Plutão
Oh, Deus!
No ano dois mil e seis
Foi alvo de discussão
Acreditem - não é treta
Deixou de ser planeta
E foi chamado de anão

Vagueiam pelo espaço
Os páreas do sistema
De asteróides batizados
Alguém perguntou então
Mostrando certo cansaço
Perante o grande dilema:

Onde cabe o Plutão?

Divisões de classes
Que se vislumbram no céu
Expulso da categoria
Por ser pequeno coitado!

E gira agora tristonho
Ao redor da sua estrela
Numa tensa instabilidade
De rei, foi a súbdito,
Que triste realidade!

O seu curso seguirá,
Duzentos e cinqüenta anos
Para uma volta ao sol
Depois de mais desenganos
Outras mudanças virão
Corpos rochosos - gelados
Deste sistema solar
Serão então rebaixados
Como o pobre Plutão

Expulso da categoria
Nem pode reclamar,
Até signos regia!
Era alegre – brejeiro
De repente – assim cassado
Como corrupto deputado
Ou um reles mensaleiro

Com toda a honestidade
Mesmo sem nada de seu
Sempre terá de verdade
Um lugarzinho no céu.


domingo, 7 de fevereiro de 2010

CRÔNICA DOS BEM FALANTES - ISABEL SOUSA




“Crônica dos bem falantes”

Estou no Brasil desde 1964 - sabem o que achei engraçado e gostei, quando aqui cheguei?

Chamavam nas escolas ao nosso idioma: “Língua Pátria”.

Embora, talvez derivado de miscelânea de origens das mais variadas partes do mundo a “Língua Pátria” sofre modificações que de certa forma a enriquece.
Contesto sim, a enxurrada de estrangeirices, que para tudo tem que haver limite.

O meu bairro se chama “Brooklin Paulista”, todo o mundo pronuncia corretamente “Brukli”; e muitas dessas ruas têm nomes norte-americanos, como:
Rua Nebraska – Rua Indiana – Rua Nova York... Vem depois a Rua Miami (e ninguém erra na pronuncia) “Maimi”.

Por ironia navega por este bairro a Avenida Portugal, que atravessa a Rua Pensilvânia – Rua Flórida – Rua Arizona – Rua Orleans, etc. No meio destes nomes, temos outros nativos, em que eu acho ótimo, são genuinamente brasileiros, Grapicica –Guararapes –Arandú- etc. pesquisando sabemos sempre seus significados.

Estamos em um mundo globalizado:
Domicílio é uma palavra fora de moda, e quando a usam ainda carregam no acento grave (chamado no Brasil de crase) escrevendo: “à domicílio”, porém, é mais comum hoje “delivery”.

Outro dia recebi um slide de Portugal onde dizia mais ou menos isto:
“Fixe os olhos no gato” (e, lá estava um gato) “não mexa no “rato”, etc. Enfim, onde estaria o rato? Ao alcance de sua mão. No Brasil se diria não mecha no “mouse”.
“Site” lá é sítio. (O nosso sítio brasileiro lá é uma pequena Quinta)
Não deixa de ser divertido. Em compensação a nossa tela, lá é “écran”.
O que eu realmente contesto é a invenção de nomes estrangeiros.

No Brasil na há mais Diana, e sim, “Daiane e Daiana”, há Maikons –Jaksons, se misturam “ipslons” (is gregos), etc., como o diminutivo de Carlos Henrique, Caíque, virou nome próprio, escrito com pompa alguma vezes: “Kayky”.
Conheci um menino chamado Adolfo Hitler, outro Jean Charles... há quem coloque nome próprio de “Junior”, etc. etc....

É melhor ficar por aqui para não cansar o leitor.

Nossa Língua é forte e nunca cairá, pode sofrer transformações, e compete aos professores e jornalistas contestarem contra alguns eufemismos e “falsos poliglotas”.

Eu não sou nem jornalista nem professora, costumo dizer que gosto de brincar com as palavras, ás vezes é uma forma que encontro para pôr o meu eu para fora.

Fiquemos então com o aforismo de Fernando Pessoa:
“A minha Pátria é a Língua Portuguesa”.

Eu sinto isso mais do que ninguém, pois tenho mais anos de Brasil que de Portugal, e gosto de ser uma mistura dos dois países.

Quando aqui começo a conversar com alguém que não me conhece, recebo um sorriso acompanhado duma observação:
É portuguesa...

Eu retribuo o sorriso e respondo:
Com certeza.

Quando chego a Portugal, acham que sou brasileira então, eu digo que sou uma mistura luso-brasileira e, penso naquela frase batida:”Cada um é produto do meio em que vive”, e é verdade, a gente se agrega e mistura sotaques e costumes.
Uma coisa é certa:

Precisamos saber falar corretamente a nossa Língua.

Cuidado com as estrangeirices.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

AMOR DE CAO - ISABEL SOUSA





Amor de um cão
(história verídica

Isabel Sousa


Porte de pastor
Olhar triste
Perambula sofredor

Sentimento sem igual
Ele perdeu a alegria
Quando o dono foi detido
Naquela delegacia

Que o dono fez afinal?
Não sabemos nem importa
Mas o amigo sentido
Não saiu mais lá da porta

Faça chuva - faça frio
Sol - ou longo estio...
Dali não arreda pata
Há quem pergunte então:
Que faz aqui este cão?

É um cachorro vira-lata,
Debaixo dum banco dorme,
Alguém lhe joga comida
E a tristeza o consome

É uma espera irracional
Como é todo o seu amor
E sua dedicação
Ei-lo soberbo – calmo e triste
Mergulhado na espera

Eu vos digo afinal
Com toda a convicção
É bela – quase irreal
A dedicação de um Cão.



sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

LÍNGUA PORTUGUÊSA - ISABEL SOUSA



Língua Portuguesa



(Do livro “O Menino Poeta”


De: Isabel C. S. Sousa


Meu amigo Luisinho
Chegou de Portugal
É diferente o seu jeitinho
Mas é um cara legal

Ele diz que acha “gira”
A menina que ele gosta
Passa por ela e suspira
Num grande amor ele aposta

Um pouco de confusão
No nosso vocabulário,
“Gira”, quer dizer bonitinha,
Esperta... engraçadinha

Ele diz então:
Oh, “pá” vamos brincar!
És um “gajo bestial”
Que quer dizer: um cara legal

Eu lhe jogo a bola
Ele a “atira” para mim
Agora o que me consola...
Há alguma diferença sim,
Mas nosso idioma é igual
Meu sotaque é brasileiro
O dele de Portugal

Lá o nosso goleiro
“Guarda-redes” é chamado
“Golo”!! Entrou certeiro
E, a bola rolou no “relvado”
Que quer dizer: no gramado

Nosso pedestre é “peão”
Abraço “chi-coração”
“Cortador” nosso açougueiro,
Luís vai à “casa de banho”
Mas eu vou ao banheiro.
Eu sento na privada
Ele senta na “sanita”...
Levo a mão à cabeça e cismo!
Enquanto eu puxo a descarga,
Ele puxa o “autoclismo”


E o nosso salva-vidas?
É chamado de “banheiro”
O frentista do Posto
Lá chama-se gasolineiro
Agora eu aposto,
As dúvidas estão resolvidas
Luís de qualquer maneira
Já sabe que “parlapatão”
É o nosso impostor
Que sua “hospedeira”
É a aeromoça brasileira
Que o nosso colibri
É o seu chupa-flor,
E o nosso grampeador
Lá chama-se “agrafador”
A “chucha” é nossa chupeta
E, “Biberom” a mamadeira

Os “comboios” ligeiros
São nossos trens afinal,
E os ônibus brasileiros
“Auto-carros” em Portugal

E, a fila? Que engraçado!
De “bicha” é chamada,
Luisinho admirado
Parece não entender nada!
Eu lhe digo bem brejeiro,
Que “bicha” aqui é veado
E que lá é “paneleiro”

“Almeida” nosso gari
O “tele-móvel” celular
Cor “encarnada” é vermelha,
Sorvete é um “gelado”
E balinha “rebuçado”

Já nem sei mais o que falo,
O nosso jogo da velha,
O deles é jogo do “galo”.

Com toda a confusão,
Chego a uma conclusão:

Nenhuma dúvida fica,
Digo com toda a certeza:
Como é bela e rica
Nossa Língua Portuguesa!





Temos aqui uma bela construção poética de nossa amiga Isabel, e que faço questão de colocar bem aqui o meu comentário. Ela trata a língua portuguêsa como objeto de união dos povos fazendo aproximação das palavras. Belo poema Isabel!!

Ana Maria Maruggi

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

MAR DE LISBOA - ISABEL SOUSA


Lisboa vista da Torre de Belém - Portugal - Foto de Vitor Oliveira


Mar de Lisboa



Tenho saudades do mar!

Daquele mar enorme...

Ora suave ora turbulento

Na muralha eu ficava a olhar

O mar que nunca dorme

Embalado ao vento


O mar que cheira à minha infância

Parece-me ouvir o seu lamento

Mesmo a longa distância

Vejo dum navio a proa...

Gaivotas grasnando ao vento

Nas pacatas margens de Lisboa


Ouço o seu bramar

Sublime informe e sedento

Que saudades daquele mar

Que saudades daquele vento!

Vista de Lisboa

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

HOMENAGEM A SÃO PAULO PELO ANIVERSÁRIO DA CIDADE - ISABEL SOUSA





Homenagem a São Paulo
Isabel Sousa


Vou ao encontro da minha infância
E vejo-me nas muralhas do Tejo
A mente transpõe qualquer distância
E aquele tempo claramente o revejo
Espero no cais - amigos ou parentes
Caem as amarras dos navios
O vento sacode as águas transparentes
Minha imaginação navega tão distante!
E de olhos fechados sinto doces arrepios
É Sonho - é doçura delirante!

De súbito, olho ao meu redor
Liberto-me da paisagem do passado
Não vejo mais o Tejo no esplendor
É que vivo hoje do outro lado

Sinto-me envolta em poesia
Uma necessidade em me expressar!
A natureza tem algo que me inebria
Mas o acaso me distanciou do mar

Quero calar em mim a ansiedade
E amar o lugar que me dá guarida
Sobrevivo nesta imensa cidade
Ela faz parte da minha vida
Há em mim um não sei quê
Que me diz que farei sorrindo
Um poema doce e lindo
Aos rios – Pinheiros e Tietê!

“Ai São Paulo – São Paulo da garoa”
“São Paulo que terra boa”!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

VOVÓ SÉCULO XXI - DO LIVRO O MENINO POETA DE ISABEL SOUSA





Vovó século XXI

Como é bom ter uma avó!
Companheira que ela só!
Conta histórias de encantar
Branca de Neve – Cinderela...
Canta canções de ninar,
Não me imagino sem ela

Conta que o lobo mau é bom,
Que não comeu a avozinha,
Pois quando o encontrou
No caminho da floresta
Deu-lhe tanto carinho
Mais parecia um cachorrinho
E pra ele tudo era festa

Ela inventa e diz então,
Que a vida é uma comprida linha
Que a ponta final é a dela
E que a do inicio é a minha
Tenho que correr pra pegá-la
Soltando a imaginação
Um dia vou alcançá-la.

Sabem que a minha vovó,
Leva-me a passear
Acompanha-me à natação
E ensina-me a nadar?

Quando ela está por perto
Não tenho medo nenhum,
A minha avó é decerto
Vovó século XXI.

Do livro “O Menino Poeta” de Isabel C. S. e Sousa

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

SÃO PAULO - POESIA DE ISABEL SOUSA

Homenagem a cidade de São Paulo que fará 456 anos no dia 25 de janeiro de 2010.

SÃO PAULO

Cidade que amanhece
Sob o céu pardacento
A poluição trafega
Mas o sol aparece
Sorri, e nos aquece...

São Paulo que cresce
São Paulo que se agita
Cidade que não dorme
Chora - ri - e grita!

As aves que cantam
Nas copas das árvores,
Os silvos do Bem-te-vi,
Os trinados do sabiá...
E mais aves esvoaçam
Gorjeiam pra lá e pra cá

Cidade de todos os credos
Respira por todos os poros
Metrópole cheia de histórias
Seu povo é oriundo
De todas as partes do mundo

Cidade dos contrastes
Cresceu vertiginosamente
É a maior do Brasil
É uma cidade imponente!

Padre Anchieta é seu patrono
Ergueu orgulhoso a bandeira
Sendo um dos fundadores
E inspiradores
Da cultura brasileira

Com sua força então
A partir,
Dum humilde barracão
Além da Serra do Mar
Foi desbravado este chão

Seu povo perseverante
Fez da pequena São Paulo
Uma cidade gigante!



PARABÉNS SÃO PAULO!

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

MINHA PRIMEIRA OFICINA DE TEXTOS


http://www.poiesis.org.br/casadasrosas/



CASA DAS ROSAS - ESPAÇO HAROLDO DE CAMPOS DE POESIA E LITERATURA.






Oficina Idéias e Ideais

Foi aqui que, numa visita informal, tornei-me frequentadora de minha primeira oficina de textos.


Monitorada pela Ana Maria a oficina foi rica de aprendizado com enorme variedade de temas sugeridos: Bossa Nova e a Garota de Ipanema, Meu primeiro amor, Eu Avenida Paulista, Sala de Espera, e tantos outros. Todos os encontros eram cheios de surpresas, videos, leituras, brincadeiras, e muita criação. O dia seguinte era esperado com ansiedade, pois tínhamos desenvolvido um texto sugerido como tarefa em nossa casa, então ansiávamos por mostrar como estávamos nos dando bem com nossos textos.


Em breve outra oficina vai começar e eu estarei lá!

domingo, 17 de janeiro de 2010

SONHO DE UMA CIDADÃ - ISABEL SOUSA




Sonho de uma cidadã

Isabel Sousa


Deu-me uma vontade danada
De me candidatar a Prefeita!
Eu sei que seria eleita
Mas o tempo se esgotou
Não posso fazer mais nada.
Estou pensando firmemente
Do Brasil ser Presidente

Certo candidato a Prefeito
Tempo atrás me alertou
Dizendo se fosse eleito
Duas lajes iria construir
Sobre os nossos rios famosos
O Pinheiros e o Tietê,
Que o trânsito iria fluir
A noventa ou cem por hora!
Aqueles rios famosos
Conservam um não sei quê
Da nostalgia de outrora!

Eu prometo então
Quando eleita Presidente
Ao deleitar-me no Planalto
Com minha nata ambição
Neste país colossal
Construirei afinal
Uma ponte bem no alto...
Sob o imaginário meridiano
Ao encontro de Portugal
“À beira-mar plantado”
Firmes lajes de concreto
Sobre o Atlântico Oceano
Linhas curvas ou retas
Será só acelerar!
Eu gosto da aventura
Olhando a arquitetura
Naquele espaço sem fim
É meu desejo ardente...
Ambições – ambições!


Nas próximas eleições
Votem em mim
Pra Presidente.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

MEU CÉREBRO - Isabel Sousa


Meu cérebro

Meu cérebro é um arquivo ordenado
Conserva lembranças do passado
Mas sinto que lá bem no fundo
Há neurônios adormecidos
Talvez inundados da fragrância
De um distante e pequeno mundo
Que remota à minha infância
Tênues lembranças de tempos idos

Meu cérebro
Dono dos meus pensamentos
Ele me comanda – ele sou Eu
Sinto as conexões cerebrais
Mistura de tristezas e alegrias
Mágoas – suspiros – sorrisos e ais
Que persistem em meus dias

Eu não quero sentir-me triste
Aí meus neurônios entram em convulsão
E uma voz sai da minha mente e diz:
Felicidade não existe
Há mágoas em teu coração
Que não te deixam feliz

E, o cérebro me domina
Seria só arquivar
No recanto do esquecimento
Tudo o que me fez sofrer
Eu só queria esquecer
Pois já foi há tanto tempo!

Preciso lutar - comandar minha mente
Acabar com as confusas sensações
Mandamos no cérebro... ou ele manda na gente?
O Eu controlará minhas emoções
Estabeleço um diálogo interno
Descubro minha força pessoal
Vejo que nada no mundo é eterno
Nem meu arquivo cerebral.


Isabel Sousa

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

ESPERANÇA? - ISABEL SOUSA




Esperança?

Enfim, uma noticia animadora vinda das bandas de Espanha.

Talvez sirva para eu parar de pensar que o ser humano continua “tribal”, e que nele se está acentuando cada vez mais a parte animal irracional. Depois do decorrer de inúmeros casos contra irracionais e... racionais, chego à conclusão que psicopatas em potencial se têm desenvolvido nos últimos tempos; sim, por que a ausência de sentimentos só será justificada com essa anomalia.

Voltando à noticia vinda de Espanha abordando a barbaridade das Touradas, espetáculo que durante uma infinidade de anos empolgou multidões perante tanta covardia.

Acabar com as touradas seria acalentar uma esperança na humanidade. Elas são praticadas em Espanha, onde o auge é matar o touro em plena arena, em Portugal é proibido matar o touro, mas, massacrá-lo é “lindo”! a elegância do toureiro leva multidões ao delírio, até canções alusivas à sua “coragem”; me lembro de algo assim:
“Toureiro de lusa raça/ De porte altivo e cortês/ Levanta em peso uma Praça/ Derrubando a brava rês “... ou: “Espada cravada de loiros/ Tu és o maior entre tantos/ Bravo matador de toiros/” etc. etc.

No México também se praticam touradas, mas não com a empolgação de Espanha onde elas fazem até parte dos programas turísticos.

Aproveitando a oportunidade direi que também está na hora de acabar com os rodeios no Brasil, a violência contra animais é muito triste e inadmissível.

A briga dos galos foi proibida, embora, clandestinamente em alguns lugares ainda seja praticada.

Neste fim de ano gostaria de alertar uma parte do ser humano que se acomoda na frase:
“O mundo não tem mais jeito”!

Porém, terá sim, não esquecendo que somos seres pensantes e atuantes.

Este desabafo servirá também para olhar de frente o cenário político que se desenrolou em Brasília, infelizmente nada surpreendente, e sabemos que mais uma vez a sujeira será arremessada para debaixo do tapete.

2010 está chegando, e mais uma vez renovamos nossa esperança em melhores dias.
Lutemos por um mundo melhor – abaixo a impunidade – abaixo a hipocrisia de fechar os olhos e de querer fazer acreditar aos incautos que nada está acontecendo.

É tudo natural, tudo o que acontece de mal, a culpa é de Pedro Álvares Cabral!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

MEU PRIMEIRO AMOR - ISABEL SOUSA

Este foi o primeiro texto que a Isabel criou na Oficina Idéias e Ideais da Casa das Rosas em 2008. Ela chegou e já foi falando de amor...






MEU PRIMEIRO AMOR

Meu primeiro amor passa em minha mente um tanto ofuscada por lembranças distantes.

Direi que ele aconteceu assim que aprendi a ler, ensinada pela minha irmã mais velha, bem antes dos sete anos, que era a idade de se entrar na escola.

Logo comecei a encantar-me por poesia, e a interessar-me pelos poetas. Aí, me apaixonei por Camões e ouvia a sua história com o mesmo encanto com que escutava a Branca de Neve, Cinderela... E outras fábulas.

Eu via tudo na minha imaginação...

Camões erguendo a bandeira portuguesa no final duma batalha em Fez, um mouro moribundo criou forças inexplicáveis empunhando a arma, e um tiro certeiro vazou o olho direito de Luís de Camões.

Tantos feitos!

Outro que muito me impressionou foi quando ele salvou os Lusíadas se atirando ao mar revolto numa tempestade temerosa com a mesma ânsia com que se tenta salvar um filho. Na mesma embarcação estava Dinamene, uma escrava que ele amava com paixão. Não deu para salvá-la. Ele tentou, mas não conseguiu, Dinamente foi tragada pelas águas, porém, os Lusíadas “A história de Portugal epicamente narrada” foram salvos, e o tornou imortal.

Talvez tenham sido criados mitos sobre suas paixões, não posso prolongar esta narrativa, poderia tornar-se enfadonha. Uma verdade é que ele morreu na miséria depois de ter vivido no auge e seu antigo escudeiro angariava esmolas para sobreviverem.

Acrescentarei o seguinte para justificar minha paixão por Camões:

Tive uma amiga que gostava de falar do tempo da escravidão, e me dizia:

Ah! Deveria ser bom ter escravos!

Perguntei-lhe:

Acreditas na reencarnação?

Deu uma gargalhada, e, eu também ri por que também não acredito.

Mas lhe disse:

É que fiquei pensando, que tu no passado deves ter sido uma sinhá, e, eu acho que fui a Dinamene.

Aos sete anos de idade eu escrevi o seguinte:

Luís Vaz de Camões
Símbolo da nossa história
Merecia ovações
Que o enchessem de glória

Por esmolas angariadas
Pelo Jau criado seu
Ele viveu horas amargas
Em Lisboa onde morreu.

AMOR UNIVERSAL - ISABEL SOUSA




AMOR UNIVERSAL

Amor universal?
É um mito.
Imaginar um amor universal será como uma viagem fabulosa que nos levará a um mundo que jamais existiu.
A própria Natureza nos confunde!
A luta pela sobrevivência é dura demais em todos os aspetos. Olhando os seres irracionais somos obrigados a entendê-los, por que eles agem por instinto, porém, os chamados racionais, a humanidade, na sua desmedida ambição, no seu egoísmo, e nos tempos de hoje acentuado o individualismo patente no subconsciente de todo o ser humano, torna impossível o amor universal.
Sonhei um dia com esse amor e o transportei ao ano 3000.
E como ser pensante, acredito que ele seria possível.

ANO TRÊS MIL


Violência, opressão,
Intolerância. Injustiça,
Palavras há muito banidas
Deste planeta Terra
Ninguém sabe o que foi guerra,
Algo perverso, sem razão,
Quem nela lutou sequer a entendeu...
Alucinação!

Armas? O que é isso?
Objetos de museu,
Impossível imaginar
Que algum dia
Alguém as empunhou
Contra o seu semelhante

Deve ser lenda
Produto da imaginação
De mentes doentias
De um passado distante

Houve gente sem teto,
Crianças abandonadas
Mendigando afeto
Sociedade injusta
Um dia se perdeu
Em um mundo sem nexo!

Ano três mil
Só há amor, paz...
Fraternidade, dignidade,
Em cada rosto um sorriso
Um amigo em cada canto

Há música...
Chilrear dos passarinhos
A graça do beija-flor,
A imponência do condor
Pelos céus a navegar

Inúmeras espécies
Dos mais belos animais
Verde, flores e mais flores
As rosas não têm espinhos
Exalam doce perfume

Cristalinas águas,
Suavidade dos rios
Imensidão dos mares
Harmonia... Gente feliz!
Num mundo global
Força, união, respeito...
É a voz, do Amor Universal!


RENOVAÇÃO - ISABEL SOUSA




RENOVAÇÃO

Abro os olhos brandamente... O dia desperta belo e manso... Músicas, poesia, se embaralham em minha mente.
Ouço os trinados dos passarinhos ensaiando sua orquestra matinal.
Suavidade...
Embalo meus sonhos...
As aves se agitam nas rumorosas folhas das árvores, os galhos balançam e se abraçam.
Depois o silêncio...
Olho ao redor e envolto numa pitangueira vejo um ninho de sabiá.
É vida... Esperança... Renovação!
Mais além flores se abrindo, o dia deslizará até a noite chegar e milhões de estrelas mesmo escondidas sorrirão em suas constelações, iluminando e contemplando o nosso misterioso mundo.
Este tempo primordial no hemisfério sul chega a nós com a aproximação de Setembro, assim eu sinto a juventude se aninhando timidamente em meu peito:
Começo mais um dia, sorriu e penso:
Estou viva!

AMOR PLENO - ISABEL SOUSA




Amor pleno

Que o amor amplie nossos horizontes e concretize nossos sonhos.

Este é o anseio pleno de todo o ser humano que nasce com a capacidade de amar, com aquele sentimento que pré- dispõe o individuo a desejar o bem do outro.

Todavia, ao se falar de amor, vem à nossa mente aquelas paixões arrebatadoras entre dois seres que juram se amar eternamente. É o amor sem limites, eles unem seus destinos e se complementam.

Um amor assim na época de hoje é raro se encontrar.

O tempo da “cara-metade” não existe mais, porém, eu creio que o amor entre duas pessoas inteiras é bem mais saudável. É sublime desejar ficar ao lado de alguém até ao fim da vida, sempre com a mesma cumplicidade... sorrir ao olhar as rugas que sulcam seus rostos e dizerem um para o outro:

Estas são as marcas da nossa maturidade.

Na verdade o amor fragmentado faz parte da vida, mas é pequeno.

Eu acredito no Grande!

ANDRÉ - ISABEL SOUSA




André

Isabel C. S. Sousa


André era um menino desnutrido, olhos profundos, dez anos de idade, mas fisicamente aparentava sete. Possuía uma inteligência peculiar.

O pai embrutecido pela rudeza a que fora submetido por toda a sua vida não entendia nem a fragilidade do pequeno André. Foi numa tentativa duma aproximação mais humana que a criança se dirigiu ao pai:

- Pai, estou cansado desta vida, eu queria ir à escola estudar e brincar como outras crianças.

- Que diabo te deu moleque? Carrega esses feixes secos e aprende a ser homem!

- Eu sou uma criança, pai.

- Da tua idade eu já trabalhava, deixa de fazer corpo mole.

Consciente ou não, o pai estava duro demais para se compadecer ou entender as lágrimas quase silenciosas duma criança que só queria crescer com dignidade.

ALBERTO - ISABEL SOUSA




Alberto
Isabel C. S. Sousa

Alberto se caracterizava pela sua simplicidade, mas sua esguia figura e seus olhos negros chamavam a atenção de quem o olhava, seus dentes alvos brilhavam em seu rosto moreno.

Naturalmente simpático exercia um fascínio nato, e qualquer coisa de enigmático o diferenciava dos outros colegas. Alberto era motorista de ônibus, daqueles ônibus que circulam em S. Paulo no complicado aglomerado de veículos – motos – gente - que em determinadas horas causa estresse em qualquer um.

Ele conservava a calma – educação – e, cumpria seu dever com maestria.

Curiosa, perguntei-lhe se nunca se irritava com os vários acontecimentos da falta de cidadania – com os congestionamentos e, tudo o mais desta metrópole que tantas vezes nos cansa.
Sem titubear respondeu:

Sou profissional, e como tal sinto-me na obrigação de conservar o meu estado de espírito atento a tudo ao meu redor, cumpro o meu dever.

Quando chego em casa abraço minha mulher e filho e esqueço que sou motorista.

Sonhei um dia ser médico, minha origem muito pobre não me deu oportunidade nem de tentar.

Acredito que se o tivesse sido seria um grande médico.

Precisamos ser bons em tudo que fazemos.

Recebi uma lição de cidadania.


SÓ UMA PEDRA - ISABEL SOUSA




Só uma pedra
Isabel C. S. Sousa


Pedrinho brincava num monte de areia em seu quintal, um muro o separava da rua onde era intenso o tráfego. Sua imaginação estava completamente alheia ao movimento lá fora.
Achou uma pedra pontiaguda que o incomodou e no mesmo instante a arremessou para a rua.
A mãe assustada o repreendeu e gritou:
Que fizeste Pedrinho!
Com um doce sorriso, simplesmente respondeu:
Que mal tem, era só uma pedra mamãe!

CRIANÇA É CRIANÇA - ISABEL SOUSA





Criança é criança

Isabel C. S. Sousa


Como é bom acompanhar o desenvolvimento duma criança e procurar entender a sua lógica, sim, por que nem sempre é igual à nossa, mas, bem no fundo ela é concreta, à sua maneira, é certo.


Há uma frase batida que eu sempre a contesto, pois me lembro de ouvi-la desde criança.


-“Ah, as crianças de hoje!”


Criança de ontem, de hoje, de amanhã... Na sua pureza - sua inocência – é simplesmente criança.


Se a criança de hoje fosse diferente da de ontem, não acreditaria em Papai Noel.


Ela é sempre uma esperança.


Soltando a imaginação
Uma menina dizia
Em suave melodia
Numa terna invocação:

Eu sou a criança
Eu sou o amor
Eu sou a esperança
Dum mundo melhor

Ajude-me a erguer
Quando tropeço
Com todo o carinho
Que sempre mereço

Ensine-me a enfrentar
O mundo que avança
A trilhar meu caminho
Com mais segurança

Eu sou o futuro
Eu sou a esperança.