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sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Sarau Prata da Casa - 20 de agosto de 2011

Proesia (palavra inventada por Caetano Veloso) Mistura de prosa e poesia, foi o que n/ faltou em nosso Sarau, e... quantas vezes um trecho em prosa encerra sublime poesia!



Carolina Leite - Júlio de Ló e Rodolfo Vidal animaram o nosso Sarau - muita alegria e descontração.


Entre muitos e belos poemas foi feita uma pequena homenagem ao autor Júlio Dantas, com o trecho inicial da peça.

"A Ceia dos Cardeais"

Peça estreada em 28 de março de 1902.
O livro projetou o escritor no mundo, tendo 50 edições nas mais diversas Línguas, em 50 anos, atingiu 200 mil exemplares, o que era incalculável naqueles tempos da nossa literatura.

Peça em um ato, em verso.

Segue o lindo trecho que começa com a Fala do Cardeal Gonzaga ao descrever aos 84 anos, o seu amor de infância.

Na hora da Ceia ao redor da mesa os cardeais se confraternizam e um pergunta ao cardeal Gonzaga que estava muito pensativo...
“Em que pensas Cardeal? (ele responde:

Ai, como é diferente o amor em Portugal!
Nem a frase subtil, nem o duelo sangrento...
É o amor coração
É um amor sofrimento.
Uma lágrima... um beijo...
Uns sinos a tocar...
Um parzinho que ajoelha e que vai casar
Tão simples tudo!
Amor, que de rosas se enflora:
Em sendo triste canta, em sendo alegre chora!
O amor simplicidade,
O amor delicadeza...
Ai, como sabe amar a gente portuguesa!
Tecer de sol um beijo, e, desde tenra idade,
Ir nesse beijo unindo o amor com a amizade,
Numa ternura casta e numa estima sã,
Sem saber distinguir entre a noiva e a irmã...
Fazer vibrar o amor em cordas misteriosas,
Como se em comunhão se entendessem as rosas,
Como se todo o amor fosse um amor somente...
Ai, como é diferente!

Ai como é diferente o amor em Portugal!

(Interpretado por Isabel Sousa)

domingo, 31 de julho de 2011

Triunfo das máquinas











Já se pensa em abolir a obrigatoriedade da letra de mão, que atende também pelo bonito nome de cursivo.
Será que nossa letra manual em tempos não muito distantes ficará sujeita à paleografia?
É certo que as crianças precisam desde cedo familiarizarem-se com o computador, mas daí a abandonar o método “cursivo”...
Especialistas acenam para o caso, e atestam que trará uma possível involução na capacidade motora e na coordenação entre olhos e mãos.
Enfim, temos trabalhado no incentivo à leitura, será que não chegou a hora de incentivo à escrita?
Desenvolver a criatividade da mente com uma caneta ou um lápis na mão?
Será bom sem dúvida para a coordenação motora.
Vamos prestar atenção e não nos confundirmos com sofisticados robôs.
Quem se lembra da Máquina de escrever?
Não há tanto tempo assim!
E, da “Taquigrafia?”
Pois é, dois verbos se extinguiram:
Taquigrafar e Datilografar.
Talvez o verbo Escrever, esteja em processo de extinção. Será?
Em sua substituição temos o jovem e dinâmico verbo Digitar.
É certo que a incorporação de novas palavras faz parte da evolução de uma Língua, então, também será natural algumas perderem seu sentido.
Ainda há quem fale através dum telefone para discar um determinado número.
Temos que concordar que o verbo Discar faz parte do passado.
Mas... por favor, continuemos com a nossa letra de mão, até gosto do nome "cursivo".


Isabel Sousa

terça-feira, 31 de maio de 2011

Sarau dos "Poetas da Casa das Rosas" 29 de maio de 2011







João Guimarães Rosa
Nasceu em 27/06/1908
Faleceu em 19/11/1967





"PROESIA"
Termo criado por Caetano Veloso,
proeza de misturar poesia com prosa.


Escolhido para receber esta homenagem foi o nosso Guimarães Rosa: Um dos mais importantes escritores brasileiros de todos os tempos.
Foi também médico e diplomata.


Convidado especial para falar sobre o assunto: o poeta e professor - Daniel Fransão Estanchi, ninguém melhor do que ele para me transportar à "Travessia" do velho Riobaldo; a minha imaginação navegou a uma época arcaica, anterior à escrita....... "Grande Sertão: Veredas". Rememora um tempo mítico através de histórias imagináveis.
"Deus existe mesmo quando não há, a gente sabe que ele não precisa existir para haver".Assim seguiu o Sarau com a interpretação de poemas e prosa poetica da autoria do homenageado.

Na abertutura foi dramatizado com um Jogral o poema Bibliocausto, por: Célia - Isabel - Etel e Charles.

Bibliocausto (Guimarães Rosa)

Que a minha mão não trema/ ao deitar no fogo forte e primitivo/ todos os traidores/ que me deram veneno.
Queimarei o frio/ geometrizador da vida/ lapidada através de lentes bem polidas/
(ah, o horror daquela pedra voando/ tangida pela mão de não sei que demônio/ e a pensar, pelo espaço, que ainda tem arbítrio!...)...
Queimarei o detrator/ maníaco e vaidoso/ que quis deter a vida numa câmara escura/
(ah, o inferno galopando às doidas/ nos cavalos sem freios/ da vontade cega e sem destino!...)
Queimarei o louco/ ébrio de orgulho/ raivoso de fraqueza/ que destilava haxixe em frascos verdes/ na paisagem alpina
(ah, o prazer com que ainda o queimaria/ em cada uma das voltas pavorosas/ do seu Eterno
Retorno!...)...
E só ficará comigo/o riso rubro das chamas, alumiando o preto/ das estantes vazias.
Porque eu só preciso de pés livres/de mãos dadas/ e de olhos bem abertos...


Como não poderiamos deixar de falar de saudade, aqui vai o poema interpretado no Jogral:

Saudade (Guimarães Rosa)


Saudade de tudo!...

Saudade, essencial e orgânica,

de horas passadas,

que eu podia viver e não vivi!...

Saudade de gente que não conheço,

de amigos nascidos noutras terras,

que talvez até hoje ainda esperem por mim...

Saudade triste do passado,

saudade gloriosa do futuro,

saudade de todos os presentes

vividos fora de mim!...

Pressa!...

Ânsia voraz de me fazer em muitos,

fome angustiosa da fusão de tudo,

sede da volta final

da grande experiência:

uma só alma em um só corpo,

uma só alma-corpo,

um só,

um!...

Como quem fecha numa gota

o Oceano,

afogado no fundo de si mesmo...



Abrilhantou também o nosso Sarau o cantor - poeta e compositor, Ozias Estafuzza, com suas lindas canções.

Na última parte , como sempre, terminou com os mais variados poemas da autoria dos "Poetas da Casa das Rosas".







sábado, 14 de maio de 2011

Biblioteca Anne Frank



Chuveu poesia na Biblioteca Anne Frank.
Muita animação com o Grupo "Guarda Chuva Poetico".

"A continuidade de eventos culturais como saraus, é uma necessidade vital para mantermos viva essa energia".
E, o incentivo à Leitura prosseguirá abrangendo crianças e adultos.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Projeto Leitura e Artesanato na Praça


SE A PRAÇA FALASSE

Sou apenas uma Praça,
Tenho alma - tenho vida,
Eu sou cheia de graça,
Do Brooklin a preferida.

Quartas-feiras, que alegria!
Minha vontade é gritar!
E para completar o dia,
Há livros no meio da Praça...
Artezanato para comprar,
Mas, os livros são de graça.

Ramos verdes nos dão guarida,
Passa gente - passa cão...
Passa gato - passa vida...
Tantas cabeças - tantas ideias!
Eu me apresento então:
"O meu nome é Enéias".

Isabel Sousa




 


Abril - estamos chegando ao final do mês, o qual marcou com mais força o movimento já existente de incentivo à leitura.


Valeu! Foi surpreendente.








Seguiremos em frente - esperança no futuro.

Dia 23 deste mês foi marcado como o "DIA DO LIVRO", e vários livros circularam por São Paulo. Entre eles os graciosos livrinhos infantis do "Movimento Social do Itaú".

"Nós acreditamos que incentivar o gosto pela leitura é um bom caminho para o desenvolvimento pleno das crianças.



É fundamental para o crescimento do país."



Na "Contação de histórias" vejo crianças no inicio da alfabetização despertando nelas o interesse e o desejo de eles próprios fazerem suas leituras.



Enfim, "Ler para uma criança muda a sua história".

A verdade que no decorrer destas observações vi adultos e crianças experimentarem o sabor da Leitura. Alguns veteranos - outros principiantes, que sorriem e prometem continuar - lendo e aprendendo.


Um exemplo:

Pude observar, na Praça Gen. Enéias Martins Nogueira (na esquina da R. Guararapes com a R. Dr. Geraldo de Campos Moreira) Bairro do Brooklin, onde é montada todas as quartas-feiras, uma Feira de Artesanato.

Artesãos ali expõem os mais variados e caprichados trabalhos. Porém, alguém quis ir mais além... No meio da Praça, foi improvisada uma Banca de livros para todos. E, o projeto se concretizou.

A ideia é:

"Depois de ler e reler devolver, para que outra pessoa possa fazer o mesmo".

Não deixemos então, que a enxurrada de todo o poder visual que a tecnologia criou, nos acomode em uma preguiça mental e a leitura fique meio esquecida. Longe de mim tirar o valor do que o mundo nos oferece. Juntemos tudo e, vamos em frente.

Um livro é um amigo - um companheiro que nos faz crescer e que mexe com as nossas emoções.

A leitura faz nossa mente trabalhar e aumenta nossa capacidade de pensar.










terça-feira, 12 de abril de 2011

Abril - mês da leitura



Livros - leitura - palavras...

No conjunto correspondem a um exercício para expressar com clareza os pensamentos.

Todo o nosso mundo se estrutura por intermédio da multiplicidade linguistica.

Na imaginação está o ato em encontrar palavras que reflitam a capacidade de pensar.

Escrever - ler - imaginar - enriquece a nossa compreensão - a expressão verbal - a transição entre palavras e seus significados, para pensar bem precisa saber lidar com as palavras, para tal a leitura é essencial.


Que este mês de abril, seja apenas um marco para insentivar a leitura, e que as nossas crianças sejam preparadas para leitores do presente e do futuro.

Isabel Sousa


Como escreveu Castro Alves


"Livros... livros à mão cheia...

E manda o povo pensar!

O livro caindo n´alma

É germe - que faz a palma,

É chuva que faz o mar"..........






domingo, 20 de março de 2011

É bom sonhar!

Faço versos a sonhar
Eles vibram em meu peito
Sinto-me num caminho estreito
Mas sempre consigo passar

Versos - doce harmonia!
Transcendem suave luz
E uma estrela me conduz
Rumo à minha fantasia

Sonhei ver o meu netinho
Acenando-me com carinho
Dizendo com alegria:

Estou lendo seu livro vovó!
No momento estava só
E ele fez-me companhia.




Isabel Sousa

terça-feira, 15 de março de 2011

NÚMEROS



Em cima, os numerais tataravós dos atuais.


<1-2-3-4-5-6-7-8-9-0

Há mais de mil anos um genio marroquino concebeu as figuras de 0 a 9, que hoje conhecemos como numerais arábicos. Ele moldou as figuras de tal forma que cada uma apresentasse o número correspondente de ângulos; o 2, dois ângulos - o 3, três ângulos, etc. O zero, significando, nada, não tem nenhum ângulo.


Números... números sem fim
De símbolos apenas nove,
Até que o inventor diz assim:
Vou fazer uma bolinha
Teremos dez simbolos enfim;
Espero que o mundo aprove.
Na esquerda não terá valor
Colocando-o à direita
É uma ideia perfeita,
O número fica maior.

Chamaremos de algarismos
A cada um desses símbolos,
Diz o árabe sabichão,
Um, dois, três, quatro, cinco,
Seis, sete, oito,nove e zero
Descobri tudo o que eu quero!

Agora muita atenção,
Estes simbolos arábicos
De todos são companheiros,
Em horas de confusão,
Em horas de solução,
Sejam quebrados - inteiros...
Até para as crianças
Servem para brincar.
Números ... números...
Fazem a gente pensar!


Isabel Sousa

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

25 de janeiro - 457 anos! Parabéns São Paulo!





Isabel Sousa


Em vários lugares da cidade houve pomposas e belas comemorações.
Eu pessoalmente estive na Praça da Sé, onde a estátua do Padre José Anchieta, de porte altivo nos faz lembrar a fundação da cidade que se havia de tornar nesta imensa metrópole cheia de histórias.
Na Praça da Sé eu vi várias faces de São Paulo.
Desde o índio Feitosa - xavante - com seu violão e sua voz afinada entoou belas canções; e, que vontade ele teve de contar sua história e de seus antepassados!
Não dava tempo para divagações. Sei que os xavantes são originários de Goiás e que imigraram para o Mato Grosso no século XIX.
O índio Feitosa é hoje um cidadão que abraçou São Paulo e que ama falar sobre suas origens.
A verdade é que, não é em todo o canto e a qualquer hora que se vê um índio nesta cidade!



Voltando às faces de São Paulo:
Vi um mendigo que rolou animadamente pelo palco improvisado se extasiando ao escutar os belos poemas e os acordes dos violões que ecoaram pelo espaço, a Praça da Sé marco da cidade, a pouco e pouco se encheu de gente.
E, que ironia, o mendigo, paz estampada em seu semblante! sorriu - bateu palmas e gritou:
Viva São Paulo!
Eu sorri e comentei:
"Pobrete mas alegrete!"




No meio aos espectadores estavam duas simpáticas freiras apreciando aqueles descontraídos momentos.
Não me contive e reparei que tinham em mãos O "FANAL" jornal mensal da Casa do Poeta; as abordei e lhes perguntei se gostavam de poesia; ao que de imediato responderam:
Muito!

Acrescentarei, que esta comemoração se repete há alguns anos por iniciativa da Casa do Poeta "Lampião de Gás" de São Paulo.
Assim, muitos poemas alusivos à nossa cidade foram declamados, porém, o que mais animou aquela manhã de sol brilhante foram os afinados violões e os cantores, que levaram todos os presentes a cantarem,como:
"São Paulo da garoa" - "Lampião de Gás" - Trem das Onze.... etc. etc.


No dia 25, a Praça da Sé foi o "oásis" - a imponente Catedral da Sé parecia reverenciar-se, e pelo chão pombos ciscavam sem medo dos transeuntes. Alguns cães de olhares doces pareciam participar do evento.

Pois é, São Paulo pode não ser mais a "Cidade da garoa", mas, não é momento de se pensar em "tempestades".
Cantemos então:
"Ai São Paulo - São Paulo da garoa - São Paulo que terra boa"!!!
Parabéns São Paulo!




quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Era uma vez... - Isabel Sousa



Era uma vez
Isabel Sousa


Era uma vez um presidente
Dum certo país tropical
Sempre alegre e sorridente
Nunca houve outro igual
Tantas viagens ele fez
Percorreu o mundo inteiro
Um autêntico burguês
Sorriso largo – brejeiro

Sonhou com Venus - com Marte
E a maior vontade sua
Era erguer seu baluarte
No árido piso da lua

Seu nome perpetuou
Num filme de sua história
O filme fracassou – ele sonhou
Que foi o auge da glória!
Dum sonho, a realização,
Em seu “reinado” feliz
Fechou os olhos à corrupção
Instalada em seu país

Tanto – tanto viajou...
Nada mais de novidade
Pra todo o sempre ficou
Da presidência a saudade

Sua esperança permanente
Que erguida será um dia
Em tempo pouco distante
Exibida com euforia
Sua estátua itinerante.

Esse “nobre” presidente
Em sonhos então flutua
E hoje muito contente
Vive no mundo da lua,
Ao lado da primeira dama
Que agora, fala pelos cotovelos
Mas ele nem reclama
E a enche de desvelos.


Todo o tempo da presidência
Ela nunca disse nada!
Sempre com muita paciência
“Entrou muda - saiu calada.”

sábado, 15 de janeiro de 2011

São Paulo!


São Paulo
Isabel Sousa
Cidade que amanhece
Sob o sol pardacento
A poluíção trafega
Mas o sol aparece
Sorri e nos aquece.

São Paulo que cresce
São Paulo que se agita
Cidade que não dorme
Chora - ri e grita!

As aves que cantam
Nas copas das árvores,
Os silvos do bem-te-vi,
Os trinados do sabiá,
E mais aves esvoaçam
Gorgeiam pra e lá e pra cá

Cidade de todos os credos
Respira por todos os poros...
Metrópele cheia de histórias
Povo oriundo
De todas as partes do mundo

Cidade dos contrastes
Cresceu vertiginosamente
É a maior do Brasil
É uma cidade imponente!

Padre Anchieta
É seu patrono
Ergueu com garbo a bandeira
Sendo um dos fundadores
E inspiradores
Da cultura brasileira

Com sua força então,
A partir,
Dum humilde barracão
Além da Serra do Mar
Foi desbravado este chão

Seu povo perseverante
Fez da pequena São Paulo
Uma cidade Gigante!

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

NATAL!


Isabel C. S. Sousa



Era noite de Natal,
Um garotinho
Com um retrato na mão
E a alma cheia de Fé
Foi devagar, pé ante pé
Colocá-lo no sapatinho
Junto à árvore de Natal

Ajoelhou e rezou
Uma pequenina oração,
Em seguida acrescentou:

Papai Noel
Não lhe pedirei presente
Como mamãe está ausente
Peço-lhe um favor então;
Que procure minha mãesinha,
Talvez esteja sozinha
E dê-lhe um abraço grandão.

Aqui lhe deixo a sua fotografia
Para que a possa encontrar no céu
Papai Noel, dê-lhe um pouco de alegria
E diga-lhe que não esqueço o rosto seu.


Há pelo ar um misto de alegria e tristeza,
Há gente tão só no meio da multidão!
Há um menino que com toda a singeleza
Crê em Papai Noel e lhe pede proteção.

Sarau dos Poetas da Casa das Rosas - 19 de dezembro



Encerramento do ano de 2010. Foram lidos trechos de Clarice Lispector e poemas da autoria dos Poetas da Casa.
O sarau foi abrilhantado com a linda voz da cantora Margareth Magli acompanhada pelos músicos:
Joel Costa, Tiago Lisboa e Luís Magli.
Muito aplaudidos!
Parabéns! prestigiaram o nosso sarau.



Clarice Lispector nasceu em 1925 na Ucrania, filha de pais russos, chegou ao Brasil com apenas um ano de idade.
Foi uma das mais conceituadas escritoras brasileiras.
Faleceu em 1977

Segue um pequeno trecho do livro "A Paixão Segundo G.H."

A desistência é uma revelação.
Desisto, e terei sido uma pessoa humana - é só no pior de minha condição que esta é assumida como meu destino. Existir exige de mim um grande sacrificio de não ter força, desisto, e eis que na mão fraca o mundo cabe. Desisto, e para minha pobreza humana abre-se a única alegria que é dado ter, a alegria humana. Sei disso, e estremeço - viver me deixa tão impressionada, viver me tira o sono.
Chego à altura de poder cair, escolho, estremeço e desisto, e,finalmente me votando à minha queda, despessoal, sem voz própria, finalmente sem mim - eis tudo o que não tenho é que é meu. Desisto, e quanto menos sou mais vivo,quanto mais perco o meu nome mais me chamam, minha única missão secreta é a minha condição, desisto o quanto mais ignoro a senha mais cumpro o segredo, quanto menos sei mais a doçura do abismo é o meu destino. E então eu adoro.
Não sei mais se me apróximava com angustiada idolatria de alguma coisa,e com a delicadeza de quem tem medo. Eu estava-me apróximando da coisa mais forte que já me aconteceu.
Mais forte que a esperança, mais forte que o amor?
Eu me apróximava do que acho que era - confiança.
Senti que o meu rosto em pudor sorria. Ou talvez não sorrisse, não sei. Eu confiava.
Em mim? No mundo? No Deus? Não sei.

domingo, 12 de dezembro de 2010

NEULOGISMO

Processo de criação de novas palavras na Língua.
De tempos em tempos novas palaras surgem, e algumas ficam e se integram no vocabulário.
Em uma oficina de textos propuzeram-me escrever uma carta a uma amiga imaginária tentando criar termos um tanto absurdos.
Por exemplo:
Este me ocorreu no momento:
"O povo brasileiro nestas eleições decidiu em maioria "Lular" (votando em Dilma).



Aqui vai a carta pedida: (Isabel C. S. Sousa)

São Paulo - novembro - 2010

Queridgma
Mafalda

Como tá tua existinência? Quanto tempo não nos vemos!
Soube que encontraste a Francelina outro dia e perguntaste por mim.
Resolvi então escrever-te esta modestiosa carta.
Começo por te dizer que minha voz continua a mesma, mas os meus joelhos!
Gastigados!
Meus olhos dançarinos não brilhareiam mais.
Lembras-te quando sentadas no chão jogavamos às cinco pedrinhas?
Lastimagem!
Tentei outro dia; tenho cinco pedrinhas de estimação, as olhei e joguei issolitária lembrando-me de ti.
Sentada no chão? perguntarás tu:
Sentei sim.
Pra me levantar?
Tive que apoiar a mão no piso madeiriço.
Pois é amiga, continuo pobrete mas alegrete.
Escrevenho versos pra tudo; as minhas abstrantes vocabuleiras palavras divertem-me.
Meus joelhos não são mais os mesmos, pois então... não são como os de outrora, mas o meu coração vibra a cem por hora.
A minha pressão?
Coração à larga, sempre afoito... a pressão é doze por oito.
Se não me olhar ao espelho sinto-me bela!
Ah, tens que conhecer a minha cadela! é minha comandada, a amo! Ela retribui esse amor animalmente sem restrição.
Esta cidade? é um sufocázafama. Muitos carros desfiladeiam e outros se debateiam, as pessoas às vezes zaragateiam.
Mas eu gosto daqui. Esta cidadarrona tem mais de onze milhões de habitantes.
Vem vizitar-me. Espero-te ao desceres do avião.
Avionar é bestial!
Vais também conhecer o meu novo namorarido..
Com o meu abraçamento.
Sempre amiga e esperancence até ao final da estrada desta vida atribulada,
Maria Imaculada.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sarau dos "Poetas da Casa das Rosas" 28 de nov. de 2010



Homenagem aos Poetas "Malditos" estrangeiros.


Mário de Sá Carneiro (1890 – 1916)

Esperança

Esperança:
Isto de sonhar bom para diante
Eu fi-lo perfeitamente,
Para diante de tudo foi bom
Bom de verdade
Bem feito de sonho
Podia segui-lo como realidade

Esperança:
Isto de sonhar bom para diante
Eu sei-o de cor.
Até reparo que tenho só esperança
Pura esperança
Esperança de verdadeira
Que engana
E promete.
Esperança:
Pobre mãe louca
Que quer pôr o filho morto de pé?

Esperança
Único que eu tenho
Não me deixes sem nada
Promete
Engana
Engano que seja
Engana
Não me deixes sozinho
Esperança.



Porém, um dia ele perdeu a Esperança e não conseguiu viver sem ela!
Suicidou-se em um quarto de hotel em Paris tomando arsênico.
Seu funeral foi simples organizado por um amigo que o encontrou no quarto se debatendo com a morte horrível dos envenenados.
Ironia, em contraste do que ele havia escrito neste pequeno poema.


Quando eu morrer batam latas,
Rompam aos saltos e pinotes
Façam estalar no ar chicotes,
Chamem palhaços e acrobatas


Que o meu caixão vá sobre um burro
Ajaezado à andaluza...
A um morto nada se recusa,
Eu quero por força ir de burro.



( Que pena ele não foi de burro!)

Mais um poeta "Maldito" homenageado entre tantos outros. Todos merecedores de ficarem para sepre na História da POESIA.


Marcos Assumpção com seu violão interpretou belas músicas de sua autoria sobre as letras de poemas de Charles Baudelaire.

(Flores das flores do mal)




A QUE ESTÁ SEMPRE ALEGRE

Teu ar, teu gesto, tua fronte
São belos qual bela paisagem;
O riso brinca em tua imagem
Qual vento fresco no horizonte.

A mágoa que te roça os passos
Sucumbe à tua mocidade,
À tua flama, à claridade
Dos teus ombros e dos teus braços.

As fulgurantes, vivas cores
De tuas vestes indiscretas
Lançam no espírito dos poetas
A imagem de um balé de flores.

Tais vestes loucas são o emblema
De teu espírito travesso;
Ó louca por quem enlouqueço,
Te odeio e te amo, eis meu dilema!

Certa vez, num belo jardim,
Ao arrastar minha atonia,
Senti, como cruel ironia,
O sol erguer-se contra mim;

E humilhado pela beleza
Da primavera ébria de cor,
Ali castiguei numa flor
A insolência da Natureza.

Assim eu quisera uma noite,
Quando a hora da volúpia soa,
Às frondes de tua pessoa
Subir, tendo à mão um açoite,

Punir-te a carne embevecida,
Magoar o teu peito perdoado
E abrir em teu flanco assustado
Uma larga e funda ferida,

E, como êxtase supremo,
Por entre esses lábios frementes,
Mais deslumbrantes, mais ridentes,
Infundir-te, irmã, meu veneno!




Parabéns Marcos, foi lindo!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Sarau dos "Poetas da Casa das Rosas" dia 31 de outubro


Homenagem aos "Poetas Malditos" brasileiros.
Assim chamados pelos temas polemicos abordados.
Abrilhantando o sarau tivemos o talentoso e simpático grupo musical "Tupi or not Tupi"

Segue um soneto de Augusto dos Anjos um dos muitos homenageados.
(Nasceu em 1884 - faleceu em 1914)


A Esperança

A esperança não murcha, ela não cansa,
Também como ela não sucumbe a crença.
Vão-se sonhos nas asas da Descrença,
Voltam sonhos nas asas da Esperança.

Muita gente infeliz assim pensa;
No entanto o mundo é uma ilusão completa,
E não é a esperança por sentença
Este laço que o mundo nos manieta?

Mocidade, portanto, ergue o teu grito,
Sirva-te a crença de fanal bendito,
Salve-te a glória no futuro – avança!

E eu, que vivo atrelado ao desalento,
Também espero o fim do meu tormento,
Na voz da Morte a me bradar: descansa!

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

LIberdade


Liberdade

Isabel Sousa


Sonha... Te transporta
À soleira da tua porta
Quando te viam brincar,

Naquela rua pacata
Cantavas cantigas de roda
Jogavas amarelinha
Alegre pulavas corda

A noite caía mansinha...
Papai e mamãe a olhar...
Vovós e vizinhos também
Felizes a conversar

O sol morria lento
Naquelas tardes de verão,
Um gatinho pachorrento
Ao lado feliz um cão

Contempla a paz
Que reinava em teu passado
Ouve os grilos que cantavam,
Vê dançar os pirilampos...

Apesar da distância
Ainda paira no ar
Um cheiro de poesia
A vida tomou outra cor
Tomou outra dimensão...

Não tinhas computador
Nem tanta ansiedade,
Brincavas na calmaria
Respiravas liberdade!

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

ANO 3000 (Utopia?)

Isabel Sousa
Violência - opressão;
Intolerância - injustiça,
Palavras há muito banidas
Deste planeta terra
Ninguém sabe o que foi guerra,
Algo perverso, sem razão;
Quem nela lutou, sequer a entendeu.
Alucinação!
Armas? o que é isso?
Objetos de museu,
Impossível imaginar
Que algum um dia
Alguém as empunhou
contra o seu semelhante!
Deve ser lenda,
Produto da imaginação
De mentes doentias
De um passado distante!
Houve gente sem teto,
Crianças abandonadas
Mendigando afeto;
Sociedade injusta,
Um dia se perdeu
Em um mundo sem nexo!
Ano três mil,
Só há amor - paz;
Fraternidade - dignidade...
Em cada rosto um sorriso,
Um amigo em cada canto,
Há música...
O chilrear dos passarinhos,
A graça do beija-flor,
A imponência do condor
Pelos céus a navegar.
Inúmeras especies
Dos mais belos animais,
Muito verde, flores e mais flores...
As rosas não têm espinhos,
Exalam doce perfume.
Cristalinas águas,
Suavidade dos rios...
Imensidão dos mares;
Harmonia - gente feliz!
Ama - vive!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Marrocos ( olhar superficial do turista) - Isabel Sousa



Marrocos ( olhar superficial do turista)


Viajar, ver mundos jamais imaginados é algo fascinante.

Pela primeira vez visitei terras africanas, a minha viagem se transformou numa apaixonante aventura que começou ao atravessar o estreito de Gibraltar, onde por algum tempo fiquei entre dois mares: O Oceano Atlântico e o Mar Mediterrâneo.

O Ferri-boat nos empurrou suavemente até à costa da África. Este continente é considerado o mais antigo e por isso chamado o berço da humanidade, foi o ponto primeiro dos grandes viajantes. Marrocos está situado ao noroeste da África, fez a sua entrada na história por volta do ano 1000 antes de Cristo; é banhado pelos dois mares citados em cima, emoldurado por diversas paisagens nas encostas mediterrâneas de fina areia rosada e na zona atlântica por altas montanhas e bosques.

Fora das margens dos rios a paisagem é deserta e sem água, portanto, essas zonas são desabitadas. Em alguns lugares a sensação é de que o tempo parou.



Ao sul do Anti Atlas começa o grande deserto do Saara um dos mais importantes e extensos do mundo, há pequenas zonas em que a água permite o crescimento de vegetação e fixação do homem, porém, há outra extensão de terras áridas, e todo o conjunto nos oferece uma mística calmaria. Só os camelos, mansos, conformados, ora descansam nas rosadas areias, ora caminham servindo de montaria a turistas curiosos que experimentam algo de encanto, fascínio, sonho, paz... Oásis! Não há nada que ver nem ouvir parece que o ser humano se nutre de estímulos, assim a vida interior redobra nossas forças.



É o deserto maior do mundo, composto de dunas e de vastos espaços sem água. A temperatura no ar chega a 40 graus, mas há grandes diferenças térmicas que fazem as rochas tremerem, estas rochas têm fortes oscilações que dão lugar ao fenômeno de dilatação e contração, produzindo um som que os árabes atribuem ao “gênio” do deserto.


As dunas mais altas podem atingir até 300m de altura.

É um país cheio de mistérios e costumes ancestrais a que, seu povo não quer renunciar.


Fazer uma viagem por Marrocos é trasladar-se a um tempo vasto, é o país dos sentidos, dos aromas. Em suas Medinas (a parte primitiva das cidades) encontramos fortes contrastes, os cheiros das especiarias e dos curtumes. À entrada nos oferecem um galho de hortelã, talvez para abafar os odores que se misturam ao esterco dos animais que dividem o espaço com os transeuntes; as ruelas são tão estreitas que por vezes até parece que os burrinhos carregados de mercadorias nos pedem licença para passar.



Passos à frente, talvez em segundos, nos confunde os aromas de perfumes ou de pão recém amassado, e a população circula aglomerada, mas, tranqüila. Alguns pobres idosos sentados no chão pedem esmola, crianças uniformizadas e de mãos dadas caminham para a escola, e, um doce sorriso parece dançar em seus lábios. Elas conhecem bem aqueles labirintos, nós, turistas, sem guia nos perderíamos de certeza.


Saindo das Medinas, as partes modernas das cidades são amplas, e deixam ver a passagem da civilização romana, nítidas marcas que nos impressionam, foram os romanos que deram um grande impulso às construções, estabeleceram o comércio, desenvolveram a agricultura e fundaram núcleos urbanos.



Hoje há largas ruas bem asfaltadas. Prédios e casas conservam nas fachadas a cor rosada das areias.

Temos então as Mesquitas, lugar destinado à oração, o chão das mesmas é coberto de tapetes.

Todo o muçulmano deve conservar em mente esta frase que está escrita no Alcorão: - “Fiéis, recordai muito a Deus... Glorifiquem-lhe manhãs e tardes!”. E, eles cumprem a obrigatoriedade de rezar cinco vezes ao dia.

Porém, há minorias judias e católicas que convivem em um exemplo de tolerância. Contudo para os muçulmanos não há mais Deus que Alá e Maomé seu profeta. O livro sagrado, “O Alcorão” que todos estudam desde crianças, para eles só tem valor se estiver escrito em árabe, língua oficial de Marrocos. Segunda língua obrigatória é o francês; na faixa norte também se fala espanhol, pela grande afluência do turismo e, pela fronteira com a Espanha. Atualmente os jovens procuram aprender também inglês. É grande a facilidade com que os marroquinos aprendem idiomas.

Juntei um grupo de crianças que repararam em meu chapéu de Porto Seguro e nele a bandeira brasileira, sorrindo diziam: Brasil... Clone... Jade...

Lembrando a novela que tão bem retratou aquele espaço e a vida na Medina em Fez, a cidade mais antiga de Marrocos.

Brincando, comecei a ensinar-lhes algumas palavras em português, com que alegria e facilidade as repetiam, claro que, entre muitas, eles fizeram questão de falar as que já sabiam, e com a minha ajuda as aprimoraram, como: Ronaldinho, Kaká, Cafu, etc..

Despedimo-nos enfim, e eles gritaram:
Viva o Brasil!

Uma coisa que muito me impressionou foi a ausência do nosso fiel amigo: - O cão. Não há cães em Marrocos, salvo algum de olhar desconfiado que surja nas montanhas, parece dócil, mas é selvagem, é considerado um animal indesejado, impuro.

Em compensação os gatos são bem quistos, magrinhos, cordiais, nos recebem roçando em nossas pernas e, aceitando um colo se lhes for oferecido.

Os árabes possuem um artesanato belo e rico, trabalham com vários metais, couros, ossos de camelo, etc..





A forma de negociar confesso que, para mim bem cansativa, pois nada tem preço fixo, o regateio é constante, regateando é possível fazer bons negócios, não há nada comparável à paciência de um vendedor marroquino, para eles não importa o tempo, nos dizem sorrindo:

-“Vocês têm o relógio, mas nós temos o tempo”.

Eles nos cercam nas ruas, e quando o negócio é feito nas lojas, mal nos apercebemos já estamos muitas vezes tomando um chá com eles e discutindo preços, ou... até em tom de brincadeira, disfarçadamente mostram a vontade de atravessarem a fronteira, se percebem alguma moça que topa algum galanteio, o dirigem sorrindo, e acrescentam:

Só casando com alguém de fora conseguimos um passaporte.

Poucas mulheres se encontram nas ruas, enquanto homens caminham por elas ou se agrupam e conversam animadamente; alguns de mãos dadas, e com toda a naturalidade se abraçam.

É proibida qualquer manifestação homossexual.

Não há assaltos, podemos transitar pelas ruas a qualquer hora sem receio. Se fotografarmos algo típico, ou mesmo pararmos para ver, por exemplo: um encantador de serpentes - um aguadeiro - uma criança transportada às costas da mãe, etc., logo nos estendem a mão para pedir moedas.

- Voltando a falar das cidades modernas, mas que envolvem alguma coisa do passado, como:

- Marakech, pelas largas ruas de asfalto firme, circulam carros, lambretas e charretes puxadas por elegantes cavalos, há os “Petit táxi”, são táxis que dispõem apenas de três lugares e realizam os trajetos urbanos, a maioria não tem taxímetro, normalmente se negocia o trajeto. Há os “Grand táxi”, estes são táxis coletivos para percursos interurbanos.

Não irei falar de todas as cidades, diferentes umas das outras, mas, que ao mesmo tempo se assemelham, destacarei Rabat, pelo majestoso palácio do rei, que ao percorrê-lo nos transportamos a um conto de fadas; guardas uniformizados parecem estátuas montadas em cavalos, é tudo muito bonito e limpo, e mais uma vez a presença da arquitetura romana se impõe. Em um determinado lugar daquela área ainda se pratica o antigo ritual do sacrifício ao cordeiro, o qual é assistido como um grande espetáculo, depois a carne do animal será distribuída pelos pobres.


Muita coisa mais teria para contar sobre este místico mundo, porém, limito-me apenas a um resumo.

Cheguei precisamente no mês de Ramadan, neste espaço de tempo todos os muçulmanos não poderão comer fumar, beber, nada de atos que dêem prazer, desde o nascer do sol até que ele se ponha.

As Mesquitas ficam lotadas e às suas portas uma diversidade de calçado; não sei como farão para saber quem são os respectivos donos dos ditos sapatos e chinelos na hora da saída. Enfim, creio que fora do mês do Ramadan alguma coisa mudará, talvez não haverá tanta gente tão compenetrada, alguns parecem meio cansados, não é fácil trabalhar quando se leva tanto tempo sem comer nem beber, porém, conservam sua amabilidade habitual.

Como nem tudo são rosas... Depois de tantos contrastes – cidades - zonas desérticas, oásis, altas montanhas, extensas planícies, lagos, redutos vulcânicos, bosques, etc.
Saímos de Fez caminho a Tanger, chamada a cidade dos ventos, clima ameno, pela sua beleza banhada por lindas praias Tanger se converteu a um grande centro turístico durante todo o ano.

Atravessamos novamente o estreito de Gibraltar para chegar às costas espanholas. Desembarcamos em Algeciras a fim de passar pelos trâmites da alfândega.

Nesse espaço de tempo, jovens tentam se esconder nas partes inferiores dos ônibus, e quando descobertos, são levados à força pelos guardas da fronteira, é realmente constrangedor!

A policia entra nos veículos, desparafusa o piso a fim de ver se alguém está escondido. São jovens oriundos de vários cantos da África que sonham sair da pobreza e tentar uma vida nova em Espanha.

Demoramos muito tempo na fronteira, talvez cerca de duas horas ou mais, a vistoria é intensa. Embarcamos mais uma vez no confortável Ferry boat.

Chegamos a Ceuta, que pertence à Espanha, cidade bonita, que conserva toda a característica árabe.

De novo no ônibus, encaminhamo-nos ao parque natural dos sobreiros, percorremos a rodovia nacional que se chama “La ruta del toro bravo” cheia de pastos dedicados à criação deste animal.

Retornamos então, ao mundo ocidental.

(fotos de Isabel)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Constante Renovação - Isabel Sousa



As quatro estações
Se vão repetindo
Repetem-se emoções
E a Natureza vai fluindo

Na Primavera – poesia
Flores – frutos – vento leve
Espreguiça-se a folhagem
Verde – bela – renovada...
Afinada sinfonia!
O sol nasce risonho e breve
Sensação de miragem
Tímida e espraiada,
Lentamente chega o verão
Nas flores – no verde – o cansaço
O brilho desvanecido
Rumores marcando o compasso,
O Tempo não é vencido
Jamais perde a razão

O enigmático Tempo desliza...
O Outono começa a sorrir
A Natureza impávida e precisa
Indiferente vê o Verão partir
As folhas tombam pelo chão
As árvores bocejam indolentes
No triste sentir das folhas ausentes

O Tempo sábio – matreiro
Mistura feiúra e beleza
Parece sorrir brejeiro
Com eterna sutileza
Solta as folhas ao vento
Tristes e abandonadas
Imagens de desalento
Vagueiam pelas estradas

Ele, o eterno – o diverso...
Lá vai com sabedoria
E comanda o Universo
Com estranha maestria

Sonho - glorificação
Numa magia suprema!
Em constante transformação
Parece soltar um poema

No entanto, no reino animal
Não há renovações
Como no reino vegetal;
Quando o inverno terminar
Não haverá mais estações!

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Leitura do Jogral em homenagem a Lupe Cotrim
No Sarau dos "Poetas da Casa das Rosas
Em 26 de setembro.